A luta contra o câncer de mama: a história de Manoela

Manoela, jovem de 28 anos, mãe e esposa, descobre e enfrenta o câncer de mama em meio a pandemia da Covid-19



Mulheres no movimento Outubro Rosa

Outubro é um mês marcado por um movimento internacional para a conscientização e controle do câncer de mama, esse movimento é chamado de Outubro Rosa.


Ele acontece há 3 décadas e é feito através de compartilhamento de informações, debates, incentivo a exames, propagandas para a conscientização da necessidade de cuidados e diagnóstico precoce desta doença. Isto é feito com a esperança da redução do número de mortalidade de mulheres que enfrentam essa enfermidade.


Como o mês de Outubro chegou, trouxemos a história de Rosa Manoela, jovem de 28 anos, mãe, que descobriu o câncer de mama no final de 2020 e tem passado por seu tratamento desde então. Ela contou como descobriu o diagnóstico, quais os estágios do tratamento, quais os problemas que está enfrentando e como o apoio das pessoas de perto mudou o rumo de sua vida neste momento.


“Quando meu cabelo caiu, eu vi que estava doente, vi que a coisa era séria." Rosa Manoela.

Como Manu descobriu o diagnóstico


Manoela antes de descobrir câncer de mama

Muitas mulheres já têm o costume de fazer consultas periódicas com ginecologistas, de fato, é essencial para a saúde da mulher um bom acompanhamento médico, nutricional e psicológico. Além disso, fazer o autoexame de toque na mama, faz toda a diferença na identificação de caroços estranhos no corpo da mulher.


E foi exatamente isso que fez Manoela perceber que algo estava diferente em seu corpo. Em setembro de 2020 ela encontrou um caroço na mama em meio a um autoexame.


Incentivada pela irmã e mãe, procurou um clínico geral para realizar um exame de ultrassom. Nele foi detectado um pequeno nódulo, que aparentemente poderia ser inofensivo. Mas, de toda forma, o clínico a encaminhou para um mastologista, médico especialista em patologias nas mamas, para checagem.


O mastologista propôs um acompanhamento de 6 meses, já que o indício era de um tumor benigno. Deixou Manoela avisada de que em vista de qualquer incômodo era para ela retornar ao consultório.


Apenas 3 meses depois o caroço havia crescido muito e estava muito aparente, foi feito um segundo ultrassom e nele já foi possível identificar que era um tumor maligno. A paciente foi encaminhada para uma biópsia e a certeza chegou com os resultados: era câncer.


“De imediato, não tinha caído minha ficha, eu fiquei surpresa, mas não tive muita reação, fiquei meio anestesiada. De cara, parecia que era só um pesadelo, lembrei do meu tio que tinha passado por essa doença, que procurou tratamento muito tarde, ele ficou muito mal antes de partir. Eu me imaginei daquela forma. Daí dei entrada no tratamento através do meu convênio da empresa que eu trabalhava, mas tive um problema com o convênio e o SUS estava sem previsão para iniciar meu tratamento, fiquei muito preocupada” relatou Manoela sobre a descoberta.


Problemas com liberação do convênio

Em meio a um turbilhão de acontecimentos, Manoela teve que enfrentar outro problema: como começar o tratamento.


A paciente possuía um convênio do trabalho, onde era atendente de telemarketing, e deu entrada no tratamento por ele. O tratamento foi liberado com coparticipação, ela pagando metade das sessões de quimioterapia.


O valor de pagamento era altíssimo, mas o câncer estava muito agressivo e havia crescido 8 cm em 3 meses. O tratamento precisava ser imediato para que Manoela tivesse a chance de vencer.


Manu havia feito seu cadastro no SUS, porém não tinham ainda previsão do início do seu tratamento. Ela precisou arcar com o valor financeiro da coparticipação para fazer seu tratamento.


“Eu não sabia como iria pagar, mas eu precisava. Era minha chance. Consegui o dinheiro da primeira sessão. Quando eu fui fazer minha segunda quimioterapia, eles não liberaram, porque meu salário na empresa era baixo e o custo do tratamento era muito alto. Aí, pedi meu contrato para ver o que poderia ser feito, no contrato falava que o tratamento tinha sido liberado. Levei a um advogado e ele me orientou a tentar resolver com a empresa do convênio, porque pelo contrato eles precisavam me ajudar. Eu falei com eles, expliquei que meu caso era urgente, que era uma situação que poderia me levar a óbito. Com muitas conversas eles acabavam liberando, mas voltavam atrás e barravam de novo. Por fim, eles viram que não tinham mais como cancelar o tratamento porque já tinham liberado a primeira quimioterapia.” contou Manoela sobre o início de seu tratamento.


"Hoje eu vejo a importância de ajudar o próximo, porque a gente não sabe do futuro, nossa vida é um sopro." Rosa Manoela

Doações para o tratamento

Manoela entendeu que sozinha não conseguiria arcar com o valor de todas as quimioterapias, por isso começou uma campanha chamada "Ajude a Manu", contando sua história e pedindo doações para seu tratamento acontecer.


Isso foi divulgado pelas redes sociais e uma das amigas de Manu entrou em contato com a equipe da Asped.


A Asped de prontidão ouviu e acolheu Manoela, arrecadou recursos e foi uma das doadoras que apoiaram-na no tratamento.


“Só tenho que agradecer as doações que recebi, quando divulguei que precisava da ajuda financeira eu não imaginei que eu iria conseguir, eu imaginei que não ia ter nada, mas vi que muita gente me ajudou, gente que nem me conhecia, nunca viu meu rosto, gente que só ouviu a minha história, isso foi fundamental pro meu tratamento. Hoje eu vejo a importância de ajudar o próximo, porque a gente não sabe do futuro, nossa vida é um sopro. Tem tanta gente passando por essa doença e não tem nada, não tem o que comer, não tem o dinheiro para fazer o tratamento. Deus foi maravilhoso comigo, eu precisei só do dinheiro do tratamento, e Deus supriu todas as minhas necessidades. Foi muito importante essa ajuda, não tenho nem palavras, tenho só que agradecer a Deus e aos anjos que Deus colocou na terra para me abençoar, a Asped, os meus amigos da minha cidade e daqui, só tenho a agradecer demais, é muito importante a gente se unir e ajudar o próximo porque a gente não sabe o dia de amanhã” comentou Manoela sobre as doações recebidas.


A parte mais difícil do tratamento

Paciente Manoela em sua última quimioterapia

Tantas são as questões que assolam o coração daquele que passa por um deserto.


Não só a incerteza do sucesso do tratamento, mas inúmeras pessoas sofrem com necessidades básicas quando passam por uma enfermidade. Os tratamentos costumam ser caros, nem todos conseguem vagas na rede pública, é uma realidade dura sobreviver à doença e às condições que ela traz à vida.


Muitas vezes os pacientes levam tempo para aceitarem e se acostumarem com a ideia de estarem doentes, muitos, por conta disso, procuram tratamentos tardiamente, e tem diminuída a chance de sucesso do acompanhamento.


“Começou cair a ficha quando fiz minha primeira quimio, minha médica me deu a certeza de que meu cabelo iria cair, além de me falar todos os danos que a quimio poderia fazer no meu corpo, nos meus órgãos. A parte mais difícil foi quando meu cabelo começou a cair, ele era minha vaidade! Quem me conhece de perto, sabe o quanto eu cuidava e amava meu cabelo, minha vaidade era ele, às vezes eu ficava sem dinheiro mas, comprava meus produtos pro meu cabelo. Quando meu cabelo caiu, eu vi que estava doente, vi que a coisa era séria. Eu estava com medo de entrar em um quadro depressivo, de não me aceitar, não aceitar a doença, muita coisa passou pela minha cabeça. Eu tive tanta ajuda, por isso que é importante ter a ajuda da família, dos amigos, eles me ajudaram a me sentir linda, o máximo. Eu nunca imaginei que eu era linda, de cabelo ou sem cabelo, e eles me fizeram sentir assim.” relatou Manoela.


Manu passou por 16 sessões de quimioterapia e por uma cirurgia na mama, hoje se encontra em recuperação da mesma e em acompanhamento médico.


A Fé de Manoela

Manoela deixou, a quem poderia estar passando por uma situação parecida, uma mensagem:


"Não deixe que o medo e o desespero sejam maiores que Deus, do que você crê. Servimos um Deus grande que faz milagres, um Deus que quando mandou Jesus fez milagres extraordinários, Ele não mudou, Ele é o mesmo Deus que operou naquele tempo e hoje. Nós não servimos a um Deus pequeno. Tem um versículo que eu sempre guardei no meu coração que diz "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará. "Às vezes entregamos, mas queremos tomar de volta. Quando eu descobri o câncer, orei a Deus e disse " não está mais nas minhas mãos, porque eu não sei o que fazer, mas o Senhor sabe, sabe o que é melhor pra mim. Se for pra eu passar por isso e vencer, que Seu nome seja honrado, mas se for pra eu passar por isso e ir pra glória, que Seu nome também seja honrado". Eu entreguei meu caminho a Ele, sei que de tudo que estou passando eu não seria nada sem Ele, Deus foi misericordioso comigo e Ele é contigo também. É nesse momento que temos que crer. Ele tem o melhor pra mim, tudo que eu estou passando não é em vão, outras pessoas estão sendo ajudadas por mim porque Deus é misericordioso e ele mostra sua misericórdia todos os dias. Eu quero te desejar força nesse momento difícil, eu quero deixar esse versículo para você meditar, que possamos entregar nossa vida a Ele. Antes da doença eu planejava minha vida, Deus sabe como eu estava. Eu era uma pessoa frustrada, uma pessoa que não tinha Cristo na vida, e hoje, pelo processo que eu estou passando eu renasci, Deus me transformou em uma pessoa que eu jamais iria ser sem passar por isso. Deus sabe fazer as coisas de uma forma que não entendemos, mas Ele nos dá forças. Eu só tenho que agradecer a Ele por me ajudar, mesmo sendo tão ingratos Ele nos ajuda. Há esperança, Ele pode te ajudar. Hoje eu sou mais forte, diferente, feliz. Tenho câncer, sim, mas sou feliz, porque eu tenho convicção do que eu acredito e pra onde eu vou."


Mulher jovem lutando contra câncer de mama e incentivando o autoexame

Assim como Manoela conseguiu ver novas coisas depois de sua enfermidade, Moline, biomédica de Uberlândia, passou pela luta contra o câncer de mama e depois de um longo tratamento publicou um livro chamado "Câncer e seus presentes, o caminho da cura de um câncer de mama", feito a partir de anotações de um diário que ela escrevia durante seu processo. Hoje Moline é uma paciente em remissão e certifica que "o caminho da cura pode ser repleto de surpresas".


Conscientização sobre o câncer de mama

A Asped promoverá em parceria com o Diálogos uma palestra de conscientização sobre o câncer de mama no mês de Outubro e você não pode ficar de fora. Será no dia 23 de Outubro, sábado, às 15hrs com a médica de Família e Comunidade - Dra. Suellen Magalhães Dias Oliveira. Além disso, Manoela participará da palestra contando sobre sua jornada na luta contra o câncer de mama.


O evento será presencial e sua inscrição será online. A entrada para a palestra será um Kit de higiene (uma escova dental, um creme dental e um fio dental).


Palestra de conscientização sobre o câncer de mama

Será um ambiente reservado para tirar dúvidas e aprender mais como se proteger.


Se inscreva e chame suas amigas.


Você também pode impactar vidas como a de Manoela e de Moline através de recursos financeiros, doações de cestas básicas, roupas e atendimento profissional a custo social.


Doe agora!


Se você tem passado por esse problema e precisa de algum tipo de apoio, conheça a Asped e veja como poderá ser assistido após uma avaliação de nossa Assistente Social.




Fonte de imagens: Freepik e Manoela.


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